Você já ouviu falar sobre infertilidade psicogênica ou infertilidade psicológica?

  A chamada infertilidade psicogênica é um conceito que surgiu a partir da psicanálise, especialmente entre os séculos XX e início do XXI, com o objetivo de compreender casos de infertilidade sem causa médica aparente. Segundo essa linha de pensamento, fatores inconscientes e conflitos emocionais poderiam influenciar o funcionamento do corpo e afetar, inclusive, a capacidade reprodutiva.

  Essa teoria defendia que traumas psíquicos, vivências difíceis na infância, principalmente no vínculo com a mãe, além de culpas inconscientes, medo da maternidade ou conflitos com o papel feminino, poderiam gerar bloqueios emocionais tão intensos que interfeririam no desejo de engravidar, mesmo que de forma inconsciente.

  Contudo, é importante frisar que essa teoria já não é aceita como explicação científica válida na medicina reprodutiva atual. Estudos contemporâneos mostram que o impacto do estado emocional sobre a fertilidade é limitado e indireto, e que é inadequado responsabilizar aspectos psicológicos como causa única ou central da infertilidade.

  Hoje, essa linha de pensamento é considerada uma referência histórica da psicologia e da psicanálise, que pode oferecer insights simbólicos ou subjetivos durante o processo terapêutico, mas não substitui o acompanhamento médico especializado.

  A ciência atual defende uma abordagem multidisciplinar, onde o emocional é sim levado em conta, não como causa da infertilidade, mas como um fator que merece cuidado durante o tratamento para apoiar o bem-estar da mulher e do casal.

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