Como é Possível Geneticamente Duas Mulheres Serem Mães da Mesma Criança?

   Geneticamente, existem hoje alguns caminhos possíveis (alguns já usados em clínicas e outros ainda em pesquisa) para que duas mulheres compartilhem a maternidade biológica da mesma criança:

  1. Fertilização com óvulos diferentes (técnica ROPA – “Recepção de Óvulos da Parceira”)
    • Uma das mulheres doa o óvulo, que contém metade do material genético.
    • O óvulo é fecundado com espermatozoide de um doador.
    • O embrião resultante é transferido para o útero da outra mulher, que gesta a criança.
      👉 Assim, uma fornece a carga genética (óvulo) e a outra a gestação.
  2. Transferência mitocondrial
    • É possível inserir o núcleo do óvulo de uma mulher em outro óvulo (de sua parceira) previamente esvaziado do núcleo, mas que ainda contém suas mitocôndrias.
    • Resultado: a criança herda DNA nuclear de uma mulher, DNA mitocondrial da outra, e DNA do espermatozoide.
      👉 Geneticamente, a criança carrega material das duas mulheres.
  3. Avanços experimentais (gametogênese artificial)
    • Pesquisas em laboratório já criaram gametas (óvulos e espermatozoides) a partir de células-tronco.
    • Em teoria, seria possível produzir espermatozoides a partir de células de uma mulher e fecundar o óvulo da parceira, resultando em um bebê com material genético das duas.
      👉 Ainda em fase experimental, não aplicado clinicamente em humanos.

Hoje, o caminho mais viável é a técnica ROPA, usada em clínicas de reprodução assistida, onde uma doa o óvulo e a outra gesta. Outras técnicas (mitocondrial e gametogênese artificial) já mostram que, em futuro próximo, duas mulheres poderão compartilhar ainda mais diretamente a genética do bebê.

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