Paralisia do sono x Terror noturno: entenda as diferenças

 Ambas são experiências intensas e muitas vezes assustadoras que acontecem durante o sono, mas paralisia do sono e terror noturno são fenômenos diferentes, tanto nos mecanismos cerebrais quanto nas manifestações comportamentais. Compreender essa diferença é fundamental para acolher o que está acontecendo com o corpo e a mente, além de saber quando buscar ajuda.

Paralisia do sono: acordado, mas sem conseguir se mover

 Do ponto de vista psicológico, a paralisia do sono é um estado de consciência desperta enquanto o corpo permanece em atonia muscular, uma “desconexão” entre mente e corpo que acontece na transição entre o sono REM e a vigília. A pessoa acorda, percebe o ambiente, mas não consegue se mexer nem falar. Muitas vezes, há alucinações visuais ou sensações de presença, o que pode gerar um medo intenso.

 Do ponto de vista comportamental, a pessoa se lembra do episódio com clareza. Ela pode tentar se mover, respirar mais rápido, fazer esforço para sair do estado. Esse esforço é real, embora frustrante, e contribui para a sensação de pânico. Esse quadro pode estar associado a estresse, privação de sono, ansiedade ou mudanças no padrão de sono.

Terror noturno: em pânico, mas inconsciente

 Já o terror noturno ocorre mais comumente em crianças, mas pode afetar adultos também. Ao contrário da paralisia do sono, o terror noturno acontece em estágios mais profundos do sono (geralmente não-REM). A pessoa pode gritar, se debater, parecer apavorada, mas está inconsciente. Não responde de forma coerente e, ao acordar completamente, geralmente não lembra do que aconteceu.

 Psicologicamente, os terrores noturnos estão ligados a uma hiperativação do sistema límbico (responsável pelas emoções), muitas vezes sem que haja uma causa emocional aparente. Comportamentalmente, a pessoa parece estar em sofrimento, mas não está consciente do que está vivendo no momento. Em adultos, pode estar relacionado a traumas, estresse extremo ou distúrbios do sono.

 A principal diferença entre paralisia do sono e terror noturno está na consciência durante o episódio. Na paralisia do sono, a pessoa está acordada e consciente do que está acontecendo, mesmo sem conseguir se mover ou falar. Já no terror noturno, a pessoa permanece dormindo, embora possa gritar, se debater ou aparentar pânico,  e geralmente não se lembra do que aconteceu ao acordar.

 Quanto à memória do episódio, quem sofre paralisia do sono costuma lembrar com clareza da sensação de estar preso no próprio corpo, enquanto quem tem terror noturno raramente se lembra ou tem apenas flashes confusos do ocorrido.

 Outra diferença importante está nos movimentos corporais. Durante a paralisia do sono, o corpo permanece completamente imóvel, mesmo que a mente esteja desperta e a pessoa tente se mover. No terror noturno, acontece o oposto: a pessoa pode se movimentar bastante, gritar, chorar ou até levantar da cama, mesmo estando inconsciente.

 A duração dos episódios também costuma ser curta em ambos os casos, geralmente de segundos a poucos minutos, mas a sensação de medo pode perdurar após o despertar, principalmente na paralisia do sono.

 Por fim, as causas mais comuns variam. A paralisia do sono costuma estar relacionada à privação de sono, estresse, ansiedade ou mudanças na rotina do sono. Já os terrores noturnos, especialmente em adultos, podem estar ligados a traumas não processados, distúrbios do sono e altos níveis de estresse emocional.

 Apesar de assustadoras, ambas as experiências têm explicações neurológicas e emocionais e podem ser tratadas com apoio psicológico, hábitos de sono saudáveis e, se necessário, acompanhamento médico.

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