A descoberta de viver com HIV ainda carrega muitos estigmas. Para quem sonha em ser mãe ou pai, essa realidade pode gerar medo, insegurança e até culpa. Mas é importante saber: a medicina avançou muito, e hoje é possível realizar o sonho da maternidade ou paternidade com segurança, inclusive por meio da Fertilização in Vitro (FIV).
Do ponto de vista psicológico, o primeiro passo é acolher o próprio desejo de ser mãe ou pai, sem se julgar. Viver com HIV não define quem você é, nem diminui a sua capacidade de amar e cuidar. Ter esse desejo é legítimo, bonito e merece ser respeitado.
Ainda assim, é comum surgirem pensamentos como:
- “Será que é egoísmo da minha parte?”
- “E se meu filho sofrer preconceito?”
- “E se eu não for saudável o suficiente?”
Essas dúvidas são compreensíveis. Mas é importante lembrar que com o tratamento adequado e carga viral indetectável, o risco de transmissão é praticamente nulo. A FIV pode ser feita com total segurança, desde que acompanhada por uma equipe multidisciplinar que inclua médicos infectologistas, especialistas em reprodução assistida e psicólogos.
No aspecto emocional, o processo de FIV já é desafiador para qualquer pessoa. Para quem vive com HIV, pode haver um peso extra: o medo do julgamento, a sensação de não ser “merecedor(a)” de formar uma família, ou a ansiedade com relação ao futuro da criança. Por isso, o apoio psicológico é fundamental.
A psicoterapia pode ajudar a:
- Trabalhar medos e culpas relacionados ao HIV;
- Fortalecer a autoestima e a autoconfiança;
- Preparar emocionalmente para as etapas da FIV e da parentalidade;
- Lidar com o preconceito, inclusive dentro da própria família.
Em resumo, ser HIV positivo não é uma sentença contra o amor, a vida em família ou a realização do sonho de ter filhos. Com suporte médico e psicológico, o caminho da FIV pode ser uma jornada de coragem, cuidado e recomeço.
Conheça o meu livro: Precisamos falar sobre infertilidade: Trilhando um caminho solitário – https://a.co/d/eEQ9JPt
