Os transtornos alimentares, como a anorexia e a bulimia, não são apenas sobre comida ou aparência. Eles estão profundamente ligados ao emocional, à forma como a pessoa se vê e se sente em relação a si mesma e ao mundo.
O que são?
- Anorexia nervosa: é quando a pessoa tem um medo intenso de ganhar peso, mesmo estando abaixo do peso ideal. Ela restringe muito a alimentação e, muitas vezes, se enxerga “gorda”, mesmo sendo muito magra.
- Bulimia nervosa: envolve episódios de comer grandes quantidades de comida (compulsão) seguidos de comportamentos para “compensar”, como vômitos, uso de laxantes ou jejum prolongado.
Por que isso acontece?
Esses transtornos geralmente surgem de uma combinação de fatores emocionais, psicológicos e sociais. Alguns exemplos:
- Autoexigência e perfeccionismo: muitas pessoas com anorexia ou bulimia sentem que precisam ter controle absoluto sobre o corpo, como uma forma de compensar sentimentos de insegurança, tristeza ou vazio.
- Problemas de identidade: o transtorno pode simbolizar um conflito interno sobre o crescimento, a sexualidade ou a aceitação do corpo adulto.
- Negação simbólica da maternidade: em alguns casos, há uma rejeição inconsciente da imagem da mãe, do corpo feminino ou da função materna.
- Influência social: padrões estéticos impostos pela mídia e redes sociais podem alimentar a ideia de que “ser magra” é sinônimo de sucesso ou amor próprio.
Como afetam a fertilidade?
A anorexia e a bulimia podem causar alterações hormonais importantes, levando à interrupção do ciclo menstrual (amenorreia) ou a ciclos irregulares. Isso ocorre porque o corpo, ao perceber que está em estado de carência nutricional, reduz a produção de hormônios sexuais como o estrogênio, essenciais para a ovulação.
Além disso, o estresse físico e emocional causado por esses transtornos pode afetar o funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, prejudicando a fertilidade. Mesmo em casos em que o ciclo menstrual não desaparece completamente, a ovulação pode estar comprometida.
Em outras palavras, o corpo entende que não é um momento seguro para gerar uma vida, e por isso desativa parte do sistema reprodutivo
Como melhorar ou evitar?
- Falar sobre sentimentos: abrir espaço para conversar sobre emoções, autoestima e imagem corporal ajuda a prevenir e tratar esses transtornos.
- Evitar dietas radicais: ter uma relação equilibrada com a comida é mais saudável do que dietas restritivas que geram culpa e compulsão.
- Buscar apoio psicológico: a psicoterapia, especialmente com abordagens como a psicologia analítica ou psicodinâmica, pode ajudar a entender os conflitos internos e promover a cura emocional.
- Valorizar o corpo pelo que ele é: aprender a respeitar e cuidar do corpo, entendendo que ele muda com o tempo e que cada pessoa tem sua própria forma física.
- Cuidar do corpo com gentileza: comer bem, descansar, se movimentar e acolher o próprio corpo são formas de mostrar que ele é um lugar seguro solitário.
Conheça o meu livro: Precisamos falar sobre infertilidade: Trilhando um caminho solitário. Disponível no Amazon: https://a.co/d/eEQ9JPt
