Muitas pessoas, familiares, cuidadores ou profissionais da saúde, relatam que pacientes em fase terminal, especialmente com doenças como o câncer, apresentam um olhar profundo, distante, ou vazio, muitas vezes descrito como “olhar perdido”, “olhar resignado”, ou até “olhar de despedida”. A ciência tenta entender isso a partir de diferentes aspectos:
Explicação científica (médica e fisiológica)
- Declínio neurológico e metabólico
À medida que o corpo começa a falhar, o cérebro sofre com redução de oxigenação (hipóxia cerebral) e alterações químicas que afetam a consciência, atenção e percepção visual. Isso pode deixar o olhar “fixo”, “vidrado” ou “sem foco”. - Cansaço extremo e dor
Pacientes com câncer terminal costumam passar por fadiga intensa, dores crônicas, efeitos colaterais de medicamentos e até delírios (como em casos de encefalopatia hepática ou falência renal), o que altera o brilho e a expressividade dos olhos. - Desidratação e perda de massa muscular
A região ao redor dos olhos tende a afundar, as pálpebras ficam mais caídas e a expressão muda, contribuindo para o chamado “olhar da morte”.
Explicação psicológica e simbólica
- Desapego psíquico
Muitas teorias da psicologia do luto e da morte (como as de Kübler-Ross ou da tanatologia) sugerem que, perto do fim, a mente pode entrar em um processo de desligamento do mundo externo. O olhar reflete essa retirada simbólica da vida, como se a pessoa estivesse “olhando para dentro” ou “além”. - Estado de aceitação ou transcendência
Algumas pessoas próximas da morte demonstram serenidade e lucidez, o que pode mudar a expressão dos olhos, transmitindo calma, paz ou até sabedoria, o que é frequentemente interpretado de forma espiritual ou simbólica pelos familiares. - Expressão emocional condensada
Os olhos são muito expressivos. Quando o paciente já não tem forças para falar ou reagir, toda a carga emocional pode se concentrar no olhar: tristeza, medo, alívio, amor, despedida.
Dimensão espiritual (para quem acredita)
Muitas tradições espirituais e religiosas veem o olhar no fim da vida como um sinal de transição entre mundos, dizendo que a alma já está “se desligando do corpo”, o que dá aos olhos um aspecto distante ou pacificado.
O “olhar do fim da vida” é real e multifatorial. Ele pode ser explicado por fatores neurológicos, metabólicos, emocionais e até simbólicos. Ele revela, muitas vezes, a última forma de comunicação entre a pessoa e o mundo.
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