Ruminando o passado: quando a mente não consegue desligar

  Você já se pegou revivendo mentalmente uma conversa que já aconteceu? Pensando no que deveria ter dito, no que poderia ter feito diferente? Ou lembrando de situações dolorosas que já passaram, mas continuam te machucando como se estivessem acontecendo agora? Isso tem um nome: ruminação, um dos sintomas mais comuns da ansiedade.

Por que a mente faz isso?

  A ruminação é como um disco riscado que repete o mesmo pensamento, emoção ou lembrança. Ela geralmente aparece como uma tentativa da mente de encontrar respostas, se proteger ou evitar que um erro se repita. Em outras palavras: é uma forma de tentativa de controle.

  Do ponto de vista psicológico, pessoas ansiosas tendem a ter um padrão de pensamento hiperativo, voltado para a antecipação do futuro ou a análise exaustiva do passado. O problema é que esse excesso de análise não traz soluções, só aumenta o sofrimento.

 Além disso, a ruminação costuma estar ligada a experiências de insegurança, necessidade de aprovação, baixa autoestima e sensação de impotência. A mente fica tentando “resolver” algo que já passou,  como se, ao pensar mais um pouco, fosse finalmente encontrar uma saída emocional.

Como diminuir a ruminação e aliviar a ansiedade?

  Se você sente que está preso(a) nesse ciclo de pensamentos repetitivos, aqui vão algumas estratégias psicológicas que ajudam a amenizar o impacto:

  1. Reconheça o ciclo

  O primeiro passo é perceber que você está ruminando. Nomear o que está acontecendo (“minha mente está voltando nisso de novo”) já ajuda a se distanciar do conteúdo e ganhar consciência.

  1. Traga a atenção para o presente

  A ruminação prende você no passado. Técnicas de atenção plena (mindfulness) ajudam a quebrar esse padrão, trazendo o foco para o aqui e agora. Respiração consciente, observar os sons ao redor, tocar um objeto com atenção, tudo isso ajuda a sair da espiral mental.

  1. Questione seus pensamentos

  Nem todo pensamento é verdade. Pergunte-se: esse pensamento me ajuda ou me afunda ainda mais? O que eu diria a um amigo se ele estivesse pensando assim? Aprender a desafiar os pensamentos ruminativos é um exercício libertador.

  1. Escreva, mas com limite

  Escrever o que está te incomodando pode aliviar, mas imponha um tempo para isso. Por exemplo: “vou escrever por 10 minutos, depois fecho o caderno e sigo com o dia”. Isso evita que a escrita vire mais um modo de ruminar.

  1. Busque apoio psicológico

  A ruminação constante pode ser sintoma de transtornos de ansiedade ou depressão. Um processo psicoterapêutico ajuda a compreender as raízes desse padrão e desenvolver ferramentas para enfrentá-lo.

Finalizando…

  Ruminar é como tentar resolver um problema com a mesma fórmula que o criou. A mente ansiosa quer controlar, entender, prever, mas às vezes, tudo o que precisamos é aceitar o que já foi, acolher nossa dor com compaixão e seguir em frente, mesmo sem todas as respostas.

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