Mais uma Chance: um retrato real e sensível da infertilidade

 A infertilidade ainda é um tema cercado de silêncio. Muitas mulheres enfrentam esse processo de forma solitária, lidando com a frustração, a cobrança social, o medo e a esperança – tudo ao mesmo tempo. É por isso que filmes como “Mais uma Chance” (Private Life, 2018), dirigido por Tamara Jenkins, são tão importantes. Eles dão rosto e voz a uma dor que tantas pessoas vivem em silêncio.

 No centro da história estão Rachel e Richard, um casal na faixa dos 40 anos que tenta engravidar há anos. Já passaram por tratamentos de fertilidade, adoção e estão começando a considerar a doação de óvulos. Cada caminho parece trazer novas esperanças, mas também novas frustrações. Eles estão exaustos emocionalmente, fisicamente e financeiramente — e ainda assim continuam tentando, agarrando-se à chance de realizar o sonho da maternidade e paternidade.

✨ Um filme sobre muito mais do que engravidar

 O que torna “Mais uma Chance” tão especial é a forma honesta e humana como retrata a experiência da infertilidade. O filme não romantiza o processo. Mostra as consultas médicas frias, a rotina de hormônios, o impacto no corpo, a sexualidade transformada por um calendário de ovulação e a pressão silenciosa entre o casal. Mostra o peso do tempo e o medo de que ele acabe.

 Rachel, a protagonista, se vê lidando com a sensação de falha. Seu corpo parece não responder. Ela se pergunta se esperou demais, se fez as escolhas certas, se é tarde demais. É um tipo de luto: o luto por um futuro sonhado que insiste em não se concretizar. Esse luto muitas vezes não é compreendido nem reconhecido socialmente — o que só aumenta o sentimento de solidão.

 Richard, por outro lado, tenta manter a calma e o humor, mas também está abalado. Ele sente a pressão de ser o apoio de Rachel, mesmo quando também está sofrendo. E juntos, eles tentam encontrar um jeito de continuar caminhando, mesmo quando tudo parece difícil.

🌀 A entrada de Sadie e os sonhos que se transformam

 No meio dessa tempestade emocional, surge Sadie, a sobrinha de Rachel. Jovem, idealista e confusa com seu próprio futuro, Sadie traz leveza e ao mesmo tempo instabilidade à vida do casal. Ela representa a juventude e a possibilidade — e desperta em Rachel um desejo materno imediato, uma tentativa inconsciente de preencher o vazio.

 Sadie também representa o que muitas mulheres tentantes precisam encarar: a ideia de que talvez a maternidade venha por outro caminho. Que talvez o amor e o cuidado possam se manifestar de formas diferentes da gravidez biológica. E isso, por mais difícil que seja de aceitar no início, pode ser um ponto de virada emocional.

🌱 Para quem está tentando: este filme pode te acolher

 “Mais uma Chance” não é um filme sobre finais felizes prontos. É sobre humanidade. Sobre fragilidade e força. Sobre amor. E sobre a capacidade de reconstruir sonhos quando os antigos não se realizam da maneira esperada.

 Se você está nesse caminho da tentativa, talvez se reconheça em muitos momentos. Talvez chore. Talvez sinta raiva. Talvez respire fundo e pense: “não sou só eu”. E isso, por si só, já é muito poderoso.

💬 Dica para você que é tentante:

 Assista esse filme num momento de calma. E se puder, escreva depois sobre como se sentiu. Falar (ou escrever) sobre o que está doendo é um passo importante para acolher suas emoções — e transformar esse processo em algo mais leve e consciente.

 Você não está sozinha. Seu corpo não é seu inimigo. E a sua história é única, valiosa e merece ser respeitada em cada etapa.

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