Sob o olhar da infertilidade

…Ela observava a imagem da família feliz, formada pelos pais e um menino, com cerca de 8 anos, acampando em um parque, realizando atividades simples e ao mesmo tempo criando memórias muito especiais. Eles andavam de bicicleta, brincavam no rio, caminhavam nas montanhas, organizavam o acampamento todos juntos, ensinando cada passo do processo para o pequeno.

E foi quando um sentimento de tristeza, desesperança e revolta lhe tomou o peito, junto com as lágrimas. Ela pensava que já havia superado a infertilidade e se conformado com o que a vida havia lhe reservado, mas ao observar a cena da família , ela percebeu o quanto ela queria estar no lugar daquele casal, o quanto ela e o marido seriam ótimos pais, o quanto eles adorariam ter uma criança para poder amar, ensinar, mostrar o mundo e acompanhar o crescimento de um serzinho tão pequeno mas tão cheio de vida,  e então, ela percebeu que o desejo de ser mãe ainda habitava dentro dela e que isso jamais poderia ser tirado, por nada e nem ninguém…

Às vezes tentamos matar sonhos e sentimentos, não porque somos covardes, mas para evitar que os mesmos nos matem, e porque de uma forma ou outra somos obrigados a seguir a vida. O que não sabemos é que tudo que é forçado ou está mal resolvido dentro de nós, cedo ou tarde irá voltar a nos assombrar, seja conscientemente através de situações rotineiras, como no caso acima, ou inconscientemente através dos sonhos. Pois é, tudo o que reprimimos, negamos ou escondemos dos outros e de nós mesmos, pode aparecer nos nossos sonhos, sinalizando o que devemos mudar, e/ou melhorar em nossas vidas e enquanto não organizarmos esses sentimentos e pensamentos, esses sonhos irão estar lá, toda noite nos assombrando.

E você como tem sentido o seu processo? Como estão seus pensamentos? E quando você dorme seus sonhos te deixam leve ou ansiosa?

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