A perda de uma mãe é, por si só, uma dor profunda. Mas quando essa mãe era narcisista, o luto pode vir acompanhado de um turbilhão de sentimentos contraditórios e difíceis de entender.
Para muitos filhos e filhas de mães narcisistas, a morte não representa apenas a despedida de uma figura materna, representa o fim de uma esperança silenciosa: a de que, um dia, ela mudasse e se tornasse a mãe amorosa que sempre se desejou ter.
Durante a vida, essa esperança pode ter sido alimentada por pequenos gestos, promessas vazias ou simples fantasia emocional. Mesmo que a relação tenha sido marcada por manipulação, indiferença, críticas constantes ou ausência de empatia, a criança interior dentro de cada um continuava desejando amor, aceitação e acolhimento.
Quando essa mãe morre, morre junto a chance de reparação. É o fim da possibilidade de ouvir um “eu te amo” sincero, de receber um abraço genuíno, de viver um momento real de cuidado. Esse vazio é mais do que saudade, é a dor da ausência do que nunca foi.
É normal sentir alívio e tristeza ao mesmo tempo. Algumas pessoas se culpam por não estarem devastadas. Outras sentem um vazio tão grande que não conseguem nem nomear. Pode haver raiva, confusão, sensação de libertação, ou até um luto sem lágrimas. Tudo isso é válido. Não existe um roteiro certo para sentir.
Psicologicamente, esse luto mexe com feridas antigas. Toca na autoestima, nas inseguranças e nos padrões de relacionamento que se formaram a partir dessa dinâmica difícil. Pode ser o início de um processo profundo de autoconhecimento e reconstrução interna.
Comportamentalmente, pode haver mudanças no sono, no apetite, nos relacionamentos e nas emoções do dia a dia. Alguns se retraem, outros buscam entender melhor o passado. Tudo isso faz parte do caminho.
Se você está passando por esse tipo de luto, saiba: você não está sozinho. Procure apoio de amigos sensíveis, grupos terapêuticos ou profissionais que compreendam essa dor invisível.
Você merece viver sem carregar o peso de tentar ser amado por alguém que não soube amar. E merece encontrar, agora, o carinho e o cuidado que sempre buscou, começando por si mesmo.
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